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Domingo 01 de Enero de 2017

Desemprego zero não é desenvolvimento

(Fabiana Ribeiro - 05/04/2008 19:09:27)

O economista Flávio Comim, consultor do Pnud, sustenta que desemprego zero não traz ne cessariamente alto índice de desenvolvimento humano.

RIO. O economista Flávio Comim, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), sustenta que desemprego zero não traz ne cessariamente alto índice de desenvolvimento humano. Se gundo ele, emprego de baixa qualidade deveria ser encara do como uma estratégia de curto prazo: "Essas cidades são o primeiro passo. Resol vem a questão num primeiro momento, sem ter um caráter assistencialista".



Desemprego zero traz desenvolvimento humano?


FLÁVIO COMIM: A questão es tá na qualidade desse cres cimento econômico. Que tipo de emprego é criado? Em que setor? Como esse crescimento está beneficiando a vida das pessoas? É preciso olhar ainda para a composição de saúde e educação desses municípios. Então, não haverá dúvidas em afirmar que baixa taxa de de semprego não se traduz ne cessariamente alto índice de desenvolvimento humano.


No que diz respeito ao mer cado de trabalho, vale mais qualidade do que quantidade de vagas abertas?


COMIM: O emprego é impor tante qualitativamente e não quantitativamente. O trabalho deve gerar renda, sim, mas ainda acesso à saúde e à edu cação e meios para se pro gredir como ser humano.


Mas o país ainda esbarra na falta de formação, fazendo com que os empregos sejam de baixa qualidade...


COMIM: Não surpreende que o país tenha emprego de baixa qualidade. Somos um país ex tremamente desigual, inclusive na educação. Há os que nem sabem ler. E há os que vivenciam a internacionalização do ensino. O reflexo disso está no mercado de trabalho. De um lado, o em prego informal, desemprego dis farçado. Do outro, os melhores executivos do mundo, com os salários mais altos.


Municípios sem desemprego não estariam com menos um problema, o déficit de vagas no mercado de trabalho?


COMIM: Defendo emprego de baixa qualidade como estraté gia de curto prazo. Essas ci dades deram esse primeiro pas so. Resolvem a questão num primeiro momento, sem caráter assistencialista. Porém, as in dústrias que oferecem emprego de baixa qualificação precisam de um horizonte de capacita ção. Planejar em educação é investimento a longo prazo, que passa pelas empresas, pelo in divíduo e pelas políticas pú blicas. Sem isso não há futuro.


Mas Saltinho, no interior paulista, tem um IDH acima da média brasileira...


COMIM: Saltinho é a exceção. O município baseia sua economia na metalurgia, com valor agre gado maior. O resultado é um investimento social maior.


Então, a equação a que che garam municípios como Sal tinho nem sempre é positiva?


COMIM: O grande problema da criação de empregos é pen sar no pleno emprego (quando todos aqueles que querem tra balhar estão empregados). Se ria o pleno emprego realmente desejável? É inevitável ter de semprego, e não é necessa riamente ruim. Algo pior do que isso é ter um mau em prego, que não dá oportuni dades para se evoluir.


O senhor acha possível re plicar essa taxa de desem prego zero em outros muni cípios brasileiros?


COMIM: É possível, sim, mas não a curto prazo. O Brasil tem um enorme entrave da questão distributiva. E ainda é preciso pensar no tipo de emprego que se quer gerar. É o caso, por exemplo, de dar menos incentivo a empresas de alta tecnologia e mais es tímulo a empresas que em pregam um maior número de pessoas.


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